Mapa de Tempo – João Fênix
Novo álbum de João Fênix registra ao vivo o espetáculo que vem sendo apresentado há dois anos, em parceria com o violonista e arranjador Jaime Alem. A gravação tem participação especial de Ney Matrogrosso.
“Só canto o que está no meu coração, o que tenha a ver com minha verdade. As letras das canções, compostas por mim ou por outros autores, sempre me tocam em algum lugar, têm relação direta com a minha vida.”
Assim o cantor pernambucano João Fênix define não apenas a escolha de repertório de seu novo álbum ao vivo, Mapa de Tempo, mas a filosofia que sempre alimentou seus 25 anos de carreira fonográfica.
Mapa de Tempo registra o show que João Fênix vem fazendo há mais de dois anos, na companhia do violonista, arranjador e compositor Jaime Alem, com quem estabaleceu parceria contínua desde o primeiro álbum, Eu, Causa e Efeito, de 2001.
“A escolha das canções não foi algo muito racional, resultou da passagem do tempo, da vontade de cantar músicas que eu ainda não havia interpretado e misturá-las a coisas conhecidas do meu repertório”, diz João.
A aparente aleatoriedade do setlist, porém, tem base em quatro blocos de canções divididas por João em temas: músicas de espíritos agrário, espiritual, político e romântico, organizadas em blocos ao longo do espetáculo.
Pai Grande, letra e música de Milton Nascimento, é uma das músicas inéditas na voz de João. Abre o repertório falando de temas caros a João Fênix: espiritualidade, crença, ancestralidade. “Saber de onde se veio e para onde se vai.”
Canta Coração (Geraldo Azevedo) e Jeito de Mato (Paula Fernandes e Mauricio Santini), revelam sua face agrária e interioriana – nem por isso menos cosmpolita. “Sou um menino do interior e gosto de levar no meu canto a ideia de que o Brasil não é só litoral.”
Às faixas novas no repertório João, somam-se alguns hits de sua trajetória discográfica, como Meu Elemento (É de Balé) (Moreno Veloso e Igor de Carvalho) e Ando de Bando (Álvaro Lancelotti e Ivor Lancelotti).
Em Todo Homem (Zeca Veloso), João Fênix vai dos registros mais graves aos mais agudos de sua voz de contratenor, trabalhada pelo estudo de canto lírico no Conservatório Pernambucano de Música e lapidada ao longo dos anos de palcos e gravações.
Al Final de Este Viaje en la Vida, do cubano Silvio Rodriguez, representa um novo território na música de João: a língua hispânica. Sua primeira gravação em espanhol, Alfonsina y El Mar (Ariel Ramirez e Félix Luna), foi lançada em single em 2025, em dueto com a cantora baiana Virgínia Rodrigues. A faixa é finalista da edição 2026 do Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Lançamento em Língua Estrangeira.
Duetos têm sido constantes no caminho artístico de João Fênix, tanto que seu álbum de estúdio anterior, Pequeno Mapa do Tempo (2024), traz como convidados Ney Matogrosso, Joanna, Zé Renato, Cida Moreira, Catto, Moreno Veloso, Juliana Linhares, Almério e Moyseis Marques.
O replay em Mapa de Tempo foi de Ney Matogrosso, com quem João já havia registrado Nada Mais (Lately), versão de Stevie Wonder lançada no Brasil por Gal Costa nos anos 1980. A faixa encerra o álbum, gravado ao vivo no Manouche, Rio de Janeiro.
Ney tem sido parceiro de João desde o primeiro álbum, Eu, Causa e Efeito, de 2001. Não são raras comparações entre os dois intérpretes, muitas delas colocando João como herdeiro natural de Ney. “Ney é um artista solar, intuitivo. Esteve sempre ao meu lado e o fato de tê-lo na minha vida só pode ser respondido com muita gratidão”, diz João.
Outra colaboração ainda mais íntima é a estabelecida com Jaime Alem, também desde o primeiro trabalho fonográfico. “Jaime representa minha essência musical, o que sou enquanto músico. Nossa relação artística é fluente, natural.”
João Fênix segue apresentando o espetáculo Mapa de Tempo pelo Brasil e pelo exterior, enquanto trabalha na pré-produção de um novo álbum de estúdio, cujo lançamento está previsto para 2027.
Ouça o disco:
https://lnk.to/MapadeTempoAR