“Renegociar não significa aceitar a primeira proposta”, alerta Rafael Guazelli
Com o encerramento do Desenrola Brasil, consumidores que ainda enfrentam dificuldades para colocar as contas em dia precisam buscar outras alternativas para renegociar suas dívidas. Mas a pressa para sair da inadimplência pode levar à contratação de acordos que aliviam a parcela no curto prazo, sem necessariamente reduzir o peso da dívida.
Para Rafael Guazelli, especialista em Direito Bancário, o consumidor precisa analisar as condições oferecidas antes de fechar um refinanciamento.
“Renegociar não significa aceitar a primeira proposta apresentada pelo banco. O consumidor precisa entender quanto efetivamente está devendo, quais encargos estão sendo cobrados e, principalmente, qual será o valor total pago ao final do novo acordo”, explica Guazelli.
Uma parcela menor pode parecer vantajosa, mas é preciso observar o número de prestações, os juros aplicados e o custo final da operação. Em determinados casos, aumentar demasiadamente o prazo pode significar permanecer endividado por mais tempo e pagar um valor significativamente superior ao inicialmente imaginado.
“Não basta perguntar quanto vai ficar a parcela. É preciso olhar para o acordo como um todo. Uma prestação que cabe no bolso hoje pode esconder um prazo muito longo e um custo final elevado”, afirma o especialista.
Outro ponto importante é ter acesso às informações que permitam compreender como a renegociação foi construída. Antes de concordar com as novas condições, o consumidor deve conhecer os valores envolvidos, encargos, juros, prazo e demais condições da operação.
O fim de programas especiais de renegociação também não elimina os direitos previstos na legislação brasileira. O consumidor continua podendo questionar cobranças, solicitar esclarecimentos e analisar as condições contratuais antes de assumir um novo compromisso financeiro.
Para Guazelli, a renegociação deve ser encarada como uma oportunidade de reorganização financeira, e não apenas como uma maneira imediata de retirar uma dívida da frente.
“O melhor acordo é aquele que o consumidor compreende e consegue cumprir. Assumir uma renegociação sem avaliar as condições pode simplesmente trocar uma dívida difícil por outra que continuará comprometendo o orçamento durante anos”, conclui Rafael Guazelli.