Dra. Carolina Mantelli, endocrinologista, explica como substâncias ligadas ao prazer e ao bem-estar participam de funções importantes do organismo e reforçam a conexão entre corpo e mente
O humor pode dizer muito sobre o que acontece dentro do organismo. Por trás da sensação de prazer, motivação, tranquilidade e bem-estar existe uma sofisticada comunicação química, da qual participam neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina.
Essas substâncias atuam na transmissão de sinais entre as células nervosas e estão relacionadas a diferentes funções do organismo, como sono, memória, motivação, percepção da dor, movimentos e comportamento.
“Quando falamos em saúde, não podemos separar completamente corpo e mente. Sono, alimentação, atividade física, estresse e equilíbrio metabólico fazem parte de uma mesma engrenagem e podem interferir diretamente na forma como nos sentimos”, explica a endocrinologista Dra. Carolina Mantelli.
Muito além do “hormônio da felicidade”
Embora serotonina, dopamina e endorfina sejam frequentemente chamadas de “hormônios da felicidade”, cada uma possui funções específicas e bastante mais complexas.
A dopamina está relacionada aos mecanismos de recompensa e motivação, além de participar do aprendizado e do controle dos movimentos. A serotonina exerce papel importante na regulação do humor, sono e comportamento e tem forte atuação também no sistema gastrointestinal. Já as endorfinas estão relacionadas à modulação da dor e às sensações de prazer e bem-estar.
“Não existe uma única substância responsável pela felicidade. O organismo funciona a partir de uma rede extremamente complexa. O importante é entender que nossos hábitos cotidianos têm impacto sobre essa comunicação entre cérebro e corpo”, destaca Carolina Mantelli.
Atividade física regular, sono adequado, exposição à luz natural, alimentação equilibrada e relações sociais saudáveis estão entre os hábitos associados à manutenção da saúde física e mental.
Saúde também passa pelas emoções
Para a endocrinologista, olhar para esses mecanismos ajuda a ampliar o próprio conceito de saúde. Não basta observar apenas exames ou a ausência de doenças: qualidade de vida envolve também disposição, sono, equilíbrio emocional e capacidade de realizar as atividades do cotidiano.
“Cuidar da saúde é cuidar do organismo como um todo. Movimento, alimentação, sono e boas relações não são detalhes: fazem parte da construção do bem-estar. Corpo, cérebro e emoções estão constantemente conversando entre si”, conclui Dra. Carolina Mantelli.